quarta-feira, 24 de junho de 2009

No chão. E de verde.

Alan Bezerra

Levantamento na área, 42 minutos do segundo tempo.

Obina sobe, torto, sem jeito. Mas sobe, se esforça. Se joga, se atira na bola. E a acerta.

A bola passa por Muños. Eu me levanto: é agora!!!

Não era. E nunca mais vai ser.

Caprichosamente, maldosamente. Inexplicavelmente. A bola passa rente a trave, e vai para fora.

Corro para parede e desconto todo o meu descontentamento com o mundo com um tapa. Olho para a tv e vejo a cena que não queria ter visto: São Marcos desabado no chão.

Sinto uma horrível pancada no estômago. Mas restavam 3 minutos.

Nosso camisa 12 se levanta, e me ergue de novo. Ele vai para a área, bate-rebate. Cleiton Xavier arrisca de fora da área. O goleiro do Nacional estava fora do gol, corre, toca errado na bola. Ela vai entrar!!!

Não vai.

A bola bate no zagueiro e sobe. Para fora.

O juiz ergue o braço.

O Palmeiras está fora da Libertadores.


Vou para casa, no caminho, escuto o Corinthians ganhar o do Inter e colocar a mão na taça da Copa do Brasil. Quarta-feira (alvi) negra. Chego em casa, me esforço para engolir qualquer coisa. Tudo estava com um gosto amargo demais.

Depois de muito tempo tentando entender o que aconteceu em Montevidéu, desisto disso. O problema (o menor deles) é que o sono parecia ter desistido de mim. Mesmo assim, consigo dormir.

Acordo e vejo que estou com o manto verde e branco.

Fecho os olhos de desânimo ao me lembrar do pesadelo que havia acontecido na noite anterior.

Não tenho vontade, não tenho ânimo, não tenho saco para fazer nada. Mas a vida insiste em continuar. Tenho prova de filosofia. Quem sabe lá não encontro alguma explicação ou alento para o que restou de mim.

Não consigo esquecer o gol feito que não quis acontecer, quando Cleiton Xavier cobrou escanteio, Muños resvalou na bola, que bateu na trave e em Keirrison. E não quis entrar para o gol vazio.

No caminho para a faculdade, acompanho o Brasil fazer 3 x 0 nos Estados Unidos.

Não me ajuda em nada a sair de uma depressão pós-adolescente.

Espero que a casca vazia que fez a prova por mim tenha feito um bom trabalho. Não era eu que estava naquela sala. Eu estava em casa, deitado, perplexo, atônito, sem ação.

Vou para o karatê. Passo na casa de um amigo e jogo Guitar Hero. Me sinto melhor. Já fazem 24 horas do momento em que mais me senti pior.

Vou para casa. José Silvério narra a eliminação do São Paulo diante do Cruzeiro, com o golaço de Henrique e gol de pênalti do nosso saudoso Kléber Gladiador.

Tem início o Terceiro Tempo, mas não consigo me concentrar.

Me recordo de outros pós-jogo. Principalmente aquele em que estava no ônibus, quando o hino do Palmeiras me fez chorar em plena Raposo Tavares, no jogo de volta das oitavas de final.

Continuo me lembrando de tudo o que aconteceu com o time que é tudo o que sou.

A noite em que demos um soco na boca do Sport e calamos a Ilha do Retiro, quebramos o tabu de mais de seis anos sem vitória contra o Leão da Ilha e nos mantivemos vivos na Libertadores.

Sinto uma grande saudade de quando fui dormir às 3h da manhã quando o Palmeiras, com um homem a menos e fora de casa, conseguiu a épica classificação diante do Colo-Colo, com aquele golaço ( e que golaço...e que golaço,,, e que golaço...) de Cleiton Xavier.

E, principalmente, quando o Palmeiras mostrou aquilo tudo que eu sou.

Após o gol de cabelo de Ortigoza, que quase levou meu notebook ao chão, no jogo de ida, fomos para o jogo da vida contra o Sport.

Sua Santidade Marcos repetiu o feito de dez anos atrás. Com uma série de milagres marcantes, e os três pênaltis defendidos, o santo com a camisa 12 classificou o Palmeiras para as quartas de final.

O dia na qual o Palestra recordou o meu passado e reescreveu a minha história.

Quando meu presente começava a entrar em parafuso e meu futuro se mostrava mais complicado do que eu esperava. Tudo o que eu passei a quatro anos volta a tona.

Mas o Palmeiras sabe qual jogo tenho que ganhar. Qual partida nossa vida precisa superar de quatro em quatro anos.

E que o meu time deu a base e o caminho, para aguentar três anos de muita paciencia e resiliência.

O desejo de ter um marco como a conquista da Libertadores no meu conturbado ano de 2009 cresceu enormemente.

O sonho de ser bicampeão da América de depois de uma década do primeiro título mostrava-se possível.

Mas esse mesmo sonho morreu na noite de quarta-feira, no Estádio Centenário, em Montevidéu.


Vai levar um tempo para eu me recuperar. E vai levar toda a eternidade para entender o porquê da eliminação do Palmeiras, depois de tudo o que passamos e tivermos de fazer. Nenhum time venceu as partidas do jeito que meu time venceu. Nenhuma torcida passou pelo que passamos.

Mesmo assim, fomos derrotados, eliminados, vencidos, esquecidos, nocauteados.

Mesmo assim, fomos heroicos marcantes, valentes, épicos, milagrosos.

Mesmo agora, na mais doída eliminação que eu já tive que enfrentar.e que irei superar.


Estou no chão. E de verde.

domingo, 21 de junho de 2009

Muricy e sua saída

Érico Oyama

Num país em que a impaciência é a principal virtude dos cartolas podemos considerar longíqua a passagem de três anos e meio de Muricy Ramalho pelo São Paulo. Na Inglaterra Alex Ferguson está no comando do Masnchester United há 22 anos e Arsene Wenger, do Arsenal, esrá no clube há 13 anos.
O que mais me estranhou não foi a demissão em si, mas sim, a época do ano em ela ocorreu. Quem tem a memória um pouco conservada se lembra muito bem que nos últimos três anos o tricolor paulista sempre teve o início de ano conturbado, faz um Campeonato Paulista morno, perde a Libertadores de modo desastroso (sempre para algum time brasileiro) e depois renasce das cinzas, sempre sendo coroado com a conquista do Campeonato Brasileiro ao final do ano.
As desculpas dadas são as de que o relacionamento com os jogadores estava desgastado, muitos deles vinham reclamando a permanência no banco e que o técnico estava desmotivado. Agora vamos à analise fria dos fatos: quem reclamou do banco? Borges (justa reclamação), Washington (é titular, mas não vem rendendo bem, portanto Muricy tinha toda razão em substituí-lo durante os jogos) e André Lima... O que? André Lima? Hauhauhuahuahuahuah!!! Não é a toa que José Simão fala que a profissão mais fácil no Brasil é a de humorista, afinal de contas a piada já vem pronta. Preciso falar alguma coisa? Só posso dizer uma coisa "André Lima, você é um tremendo de um BRINCALHÃO!!!".
Admiro Muricy Ramalho, não por suas qualidades como técnico, mas principalmente, como pessoa. É um cara ético, integro, de palavra, qualidades cada vez mais rara não só no futebol, mas no mundo. Tem como lema nunca quebrar contrato e nem coloca multa por recisão por parte do clube, ao contrário de certos treinadores que fazem questão de colocarem valores astronômicos e depois fazem de tudo para ser demitido. Mercado para o mau humorado mais querido do Brasil não falta, no entanto, ele já declarou que quer descansar por um tempo, nada mais justo. Só dou um conselho: se quer realmente descando é bom contratar uma secretária, pois convites para voltar a labuta não faltarão e a cada demissão de algum técnico de time garnde seu nome, com certeza, será a primeira opção da lista.
Me espantou a rapidez com que Ricardo Gomes foi anunciado substituto de Muriçoca. Achei a escolha equivocada, não vejo nada de mais no ex-treinador da Seleção Olímpica.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

16 de junho de 1999

Alan Bezerra

Dessa vez, eu não pensei em nada para o título. Não por preguiça e nem por moleza, mas que não consegui elaborar nenhum nome ou frase que melhor represente o que foi aquele dia.

Não poderia colocar que foi o momento mais feliz da história do Palmeiras, porque não foi. Infelizmente, a Libertadores de 99 foi o maior título da história do meu clube de coração e de alma. Aquela derrota para o Manchester United, na decisão do Mundial de Clubes do mesmo ano, ainda dói. Era para ser nosso, era para ser (essa sim) a maior conquista da nossa história, mas tudo bem. Para tudo há um jeito

E não foi o momento mais feliz de todos os palestrinos em todos os tempos graças ao que aconteceu no dia 06 de junho de 2000.

Eu me lembro muito bem daquela Libertadores. Por ser mais novo, o tempo que eu tinha para se dedicar ao Palmeiras era muito maior. Mas isso não significa muita coisa, vendo agora. Creio que hoje sou, no mínimo, três vezes mais palmeirense do que era em 1999 (graças ao rebaixamento, ao título paulista do ano passado e essa surreal Libertadores 09).

Ainda sim, eu não consigo me lembrar de nada do que fiz naquele dia. Certamente, eu fui a escola durante a manhã e sei lá o que fiquei fazendo durante a tarde. Só tenho um resquício de memória daquela quarta-feira: na hora da saída da escola, eu e meus colegas palmeirenses nos cumprimentamos e falamos que seríamos campeões.

No mais, nada.

Só me recordo da hora da final, quando estava parado em frente a antiga tv que meu pai tinha, na sala da casa dele. Eu estava enrolado com a minha toalha-bandeira do Palmeiras e vestido com a camisa que hoje pertence a minha irmã.

Apesar das poucas lembranças, eu nunca vou esquecer a quantidade de pessoas que eu vi naqueles dias que estavam vestidas da mesma forma que eu.

Durante a final da Libertadores de 1999, pela primeira vez eu percebi o real tamanho que a Sociedade Esportiva Palmeiras possui. E o melhor, o tamanho da sua torcida.

Quando Evair fez o José Silvério soltar a voz, naquela linda noite de lua cheia do Dia dos Namorados, em 12 de junho de 1993, data na qual o Palmeiras pôs fim no maldito período dos Anos de Chumbo de 17 anos sem título, eu tinha cinco anos de idade.

Meu mundo e acho que todas as crianças com cinco anos é bem pequeno. Ficava restrito a minha casa, meus parentes próximos e meus colegas que brincavam comigo. Eu nem ia para a escola, entrei no prezinho em 94.

Ou seja, eu não conhecia nada do mundo. E isso não quer dizer que hoje eu conheça, longe disso, mas sei um pouco mais do que sabia quando tinha cinco anos. Mas, com 11 anos, eu tinha uma visão de mundo um pouquinho maior.

Eu ia para a escola e ficava jogando bola na rua da casa do meu pai. Pensando agora, a única diferença era a que eu ia para a escola. E mais uma: o fato de eu me lembrar perfeitamente das matérias e reportagens acerca da final.

A capa do jornal Agora SP de uma década atrás, 15 de junho de 1999, trazia os seguintes dizeres: "As armas do Palmeiras: casa cheia e força máxima no ataque".

Mas o mais impactante para mim foi a foto. Perto do Palestra Itália existem trocentos prédios, e o fotógrafo escolheu o melhor deles para fazer a foto. Cerca de 40 mil pessoas estavam não me pergunte como ocupando a Rua Turiassú e seus arredores. Só que lá não cabem 40 mil pessoas. O trânsito da Avenida Francisco Matarazzo ficou terrível. E um detalhe: eram 40 mil pessoas tentando comprar ingresso para um jogo no estádio que, na época, comportava 33 mil torcedores.

Aquela cena do mar verde e branco me marcou muito.

Sobre o jogo em si, me lembro que eu estava absurdamente nervoso. Mas duvido muito que tenha ficado tão tenso quanto fiquei esse ano, quando o Palmeiras reescreveu a minha história com as vitórias marcantes diante do Sport, do Colo-Colo e novamente contra o Sport, pela Libertadores.

É fato: quanto mais velho você fica, mais torcedor você se torna. Agora eu entendo porque o Joelmir Beting não acompanha a imprensa esportiva após uma derrota do Palmeiras.

A maior lembrança daquele jogo foram as cobranças de pênalti.

E o quão alto eu xinguei o Universo por causa da cobrança no travessão de Zinho e o desespero que meu deu na hora. Mas não dava tempo para ficar abatido. Outras cobranças viriam. E elas vieram, e nada do Deportivo Cáli errar um chute. Ou Sua Santidade Marcos operar mais outro milagre.

Mas a abençoada trave esquerda do gol da ferradura fez o milagre que o nosso santo com a camisa 12 não precisou fazer. Depois de desabafar que nem um torcedor que estava a duas cobranças do maior título da história do time que é tudo o ele é, Euller deslocou o goleiro Dudamel, marcou o quarto gol alviverde, virou a decisão, e me fez tremer como poucas vezes tremi até agora.

Na hora, me ajoelhei e começei a engrossar o coro "Fora, Fora, Fora, Fora" para a cobrança de Zapata.

Esses segundos estão nitidamente gravados na minha vida. E não por causa das incontáveis vezes que eu reassiti essa decisão. Me lembro com detalhes daquele instante, naquele momento, com aquela C(a)NTP (Condições aNormais de Temperatura e Pressão) de uma decisão de Libertadores nos pênaltis.

Fiquei sem ação quando vi que São Marcos pulou para o lado contrário da cobrança. Só fui voltar a viver quando vi nosso goleiro se levantando, a torcida ao fundo da gol pulando e quando percebi que a bola tinha ido para fora.

Palmeiras - Campeão da Libertadores de 1999.

Eu corri pela casa, saí gritando na garagem, parei na frente da tv para ver a comemoração no nosso sagrado chiqueiro a entrega do troféu. Falei com o meu pai, que estava trabalhando na hora. Melhor dizendo, tentei falar com meu pai, já que ele chorava compulsivamente.

No dia seguinte, fui para a escola com a camisa do Palmeiras. Era proibido ir com camisa de time, mas que se dane. Não estava ligando para nada. Passei na banca de jornal, comprei o pôster e alguns jornais que tenho até hoje e guardarei para o todo o sempre, vi todas as matérias possíveis, assiti todos os jornais e programas esportivos que eu consegui.

Nós podíamos fazer o que quísessemos. Éramos os Reis da América.

Campeões da Libertadores.


Agora, dez anos depois, o Palmeiras está nessa competição tão importante e marcante.

Uma nova geração de palestrinos está aí. A molecada de sete a 16 anos que não viu ou não se lembra perfeitamente do que foi aquele 16 de junho de 1999. Está na hora deles viverem isso também.

Por eles, e por nós, claro, o Palmeiras pode chegar ao bi da Libertadores, uma década depois da primeira conquista.

E estava lá. E estarei aqui.

Sempre de pé. E de verde e branco. E um punhado vermelho.

Do Palmeiras que tem tudo para ser Campeão da Libertadores de 2009.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Barcelona 2 x 0 Manchester United

Alan Bezerra

Grande Barcelona

Pela primeira vez na história, o time catalão conseguiu ser campeão da Europa com sua linda camisa azul-grená. Nas últimas duas outras vezes, em 92 e 06, a seleção do Camp Nou foi o vencedor da UEFA Champions League vestindo amarelo (cores da Catalúnia) diante da Sampdoria e com o uniforme listrado no Parc de Prince, contra o Arsenal.

Mas nunca havia sido campeão com seu uniforme tradiocional, ainda não havia levado o maravilhoso trofeú dado pela UEFA para Barcelona vestindo seu manto clássico.

Além disso, a equipe de Pep Guardiola sobrou na final.

O Manchester United não viu a cor da bola em Roma. Só tentou acompanhar com os olhos atônitos e perplexos o incrível toque de bola catalão. Iniesta e Xavi engoliram o meio campo do time de Sir Alex Ferguson. Em um momento, parecia que o Barcelona estava em um daqueles jogos treinos contra um time de garotos da base, que nada podem fazer a não ser ficar olhando e tentando aprender com os veteranos.

Durante todo o torneio, o Barcelona pareceu ser o time mais apto a conquistar a Europa. Desde o 5 x 0 diante do Basel, na Suiça, ainda na fase de grupos, os olhos de todos voltaram-se para a capital da Catalúnia.

O tempo foi passando, resultados foram aparecendo, vitórias e mais vitórias ocorreram. E muitos, mas muitos gols foram marcados. Em 61 jogos na fantástica temporada 08/09, o melhor ataque do mundo marcou 157 gols, média de 2,57 por jogo.

Com um 4-3-3 altamente veloz e habilidoso, o poderio ofensivo catalão composto por Messi, Henry e Eto'o infernizou as defesas adversárias. Que o diga e o chore o Real Madrid, após as duas derrotas no Espanhol. E, claro, o inesquecível 6 x 2 fora o baile encantado em pleno palco do Santiago Bernabéu.

Na final da Champions, contra o fortíssimo United, o show não veio. Não foi possível dar aqueles espetáculos sensacionais. Mas sobrou categoria e qualidade e precisão na hora da troca de passes.

Marca que está se tornando registrada de Guardiola, ainda novo no comando do time do Camp Nou. E que mesmo assim conseguiu o feito de ganhar a Tríplice Coroa: o Campeonato Espanhol, a Copa do Rey e Champions League.

Hoje, não existe time na Terra do mesmo patamar do Barcelona. Não existe jogador melhor que o genial Messi, autor do gol do terceiro título europeu de seu clube.

O futebol não é o lugar mais adequado para se falar em justiça. Longe disso. Mas para a felicidade de todos e do próprio futebol, o Barça conquistou a Champions League e, com isso, finalmente Messi será eleito o melhor do mundo.

Já passou da hora disso acontecer. Já passou da hora de um time que prioriza o ataque conquistar títulos importantes. O futebol, e todos nós, só temos a agradecer.

Obrigado, Guardiola
Obrigado, Messi
Obrigado, Barcelona

Barcelona - Campeão da UEFA Champions League 08/09

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Para sempre de pé. E mais que nunca de verde

Alan Bezerra

Mas também veio o descenso. Hora de pagar tudo o que Palmeiras havia feito por mim.

2003 e 2004. Os melhores anos da minha vida. Palmeiras de volta. Cavaleiros de volta.

2005. Colapso.

Minha vida fica de ponta cabeça. Precisei lidar com o descaso, com a desconfiança. E tive que me superar, aprender a viver sem ânimo e respirar sem fôlego algum.

26/11. Não preciso falar mais nada. Mas faltava a redenção

2006. Quase perco o meu pai. E por pouco não chego no fundo do posso, no final do caminho.

2007. O Estádio de Espírito Imortal me renova. Me dá forças, me dá motivos, me dá um caminho.

2008. Ano maravilhoso. Inesquecível. Palmeiras campeão. A redenção.

2009. Problemas.

Em casa, com meu pai, comigo mesmo, com minha vida sentimental.

Perco o emprego. Perco a base, perco o alicerce.

Ganho insegurança. Receio de ter errado o caminho, ter errado nas escolhas. Ter errado comigo mesmo.

Estou triste. Estou deprimido. E não sabia. Descobri agora.

Ao mesmo tempo, me lembro que o Palmeiras está novamente na Libertadores.

Marcos repete os feito de dez anos atrás.

O Palmeiras nos faz sofrer. E também gritar, chorar, pular, torcer. Heroicamente. Imponentemente. Palestrinamente.

Me lembra que o Palmeiras é começo, meio, fim, metáfora, sobrenome, caricatura, tudo que eu sou.

Me lembra que já são tantos anos, e tantos sonhos.

O sonho de ser pai - e o sonho novo, de agora, instantâneo, de batizar meus filhinhos com os nomes dos meus dois maiores exemplo.

O Palmeiras me redime. Me absolve de meus maiores equívocos.

Reescreve minha história, me levanta.

O Palmeiras sabe quando é aquele jogo em que eu mais preciso ganhar.

Aqueles jogos que, de dez em dez anos, ou de quatro em quatro anos, nossa vida precisa ganhar.

E que nosso time consegue dar o caminho. E a base. E a transpiração necessária para manter a conduta e as metas.

Eu sempre estarei de pé. E mais que nunca de verde.