quinta-feira, 30 de julho de 2009

É Muricy!!!

Alan Bezerra

Ao término do Brasileirão do ano passado, quando o São Paulo sagrou Hexacampeão, todos ficaram admirados com o belíssimo trabalho realizado pelo técnico Muricy Ramalho.

E não é para menos. Era a primeira vez que o São Paulo ganhava um tricampeonato, era a primeira vez que algum time sagrava-se tricampeão brasileiro e, de quebra, era o primeiro hexa nacional.

Sem tirar o mérito dos jogadores, que compraram a briga e foram à luta pelo tricolor, mas o peso dessa conquista recai sobre Muricy Ramalho. Não deve ter sido nada fácil levantar os jogadores e fazê-los acreditar que dava para ser campeão, após estar 11 pontos atrás do primeiro colocado. Na época, o Grêmio.

Só que Muricy Ramalho é um trabalhador de primeira grandeza. Ainda não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas pelos discursos via imprensa, pelo jeitão com que ele falava após alguma vitória e pelos que os jornalistas da área e os jogadores falam sobre ele, o atual técnico do Palmeiras é alguém diferenciado.

Não digo só profissionalmente, mas também como pessoa. Quando ele foi mandado embora do São Paulo, coisa que não consegui entender até agora, Muricy recebeu inúmeras propostas para assumir times brasileiros e estrangeiros.

Ele as recusou, dizendo que precisava descansar. Realmente, precisava mesmo. Desde 04, quando dirigia o São Caetano, Muricy ganhou um título por ano. Em 2005 foi além e, no comando do Internacional, foi campeão gaúcho e brasileiro, mas a máfia da MSI e do apito conseguiram dar o título ao Corinthians.

Mas o mais bacana é que Muricy recusava as propostas de times que possuiam treinadores. Na visão dele, não era certo que os times procurassem técnicos quando já havia um profissional no clube. Só quando nenhum de seus colegas de trabalho estava no comando, ele aceitava conversar com os dirigentes.

Foi o que aconteceu com o Palmeiras. Jorginho vinha comandando o time maravilhosa e espantosamente bem. Ninguém esperava que um interino pudesse conquistar cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota logo na primeira vez que estava à frente de um time profissional. E, claro, a grande goleada por 3 x 0 contra o maior e arqui e sumo e ultra rival, o Corinthians, com o show de Obina.

Não havia hora melhor para Muricy Ramalho assumir o comando do Palmeiras.

Depois da primeira rodada de negociações, parecia que não daria certo. Ainda mais quando Jorginho e os jogadores, que estavam visivelmente jogando pelo treinador, conseguiram emplacar uma ótima sequência e chegaram ao topo da tabela. Mas com calma e sem pressa, o presidente Belluzzo conseguiu convencer o melhor técnico brasileiro na atualidade para trabalhar na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Só podemos agradecer.

"Isso aqui é trabalho, meu filho.". Frase já clássica de Muricy.

Só podemos responder de uma forma:

"Seja bem-vindo. Isso aqui é Palestra, Muricy"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

La Plata que reluz a Ouro

Alan Bezerra

Quinto ano seguido que a Libertadores é decidida em território brasileiro.

Quinta vez seguida que brasileiros e argentinos decidem a Libertadores aqui. Quinta vez seguida que temos de assistir calados e quietos a festa que os argentinos sabem tão bem fazer nas arquibancadas brasileiras, mesmo em menor número. Mas com muito mais voz.

Terceira vez seguida que um time brasileiro perde a Libertadores decidindo em casa.

Não foi uma derrota tão incontestável quanto foi aquela do Boca Juniors sobre o Grêmio, em 2007, 2 x 0 no Olímpico. Mas que não conseguiu calar a torcida do Imortal Tricolor mais inacreditável da história, que saiu do último lugar da Série B e chegou ao vice da América.

Não foi uma derrota tão traumática e triste quanto foi aquela do Fluminense para a LDU, no ano passado. Uma das maiores injustiças do futebol, sem tirar o mérito do bom time da LDU, mas o Fluminense foi muito grande quando bateu o São Paulo nas quartas e fez o que só o Santos de Pelé havia feito: ganhar do todo-poderoso Boca Juniors, na semifinal. Só que havia os pênaltis entre o Fluminense e seu primeiro título da Libertadores.

No primeiro jogo da final, o Cruzeiro deu sinais de que chegaria ao tri. Depois do 0 x 0 no primeiro jogo da decisão, com o goleiro Fábio vivendo sua noite de defesas marcantes, era decidir e fazer a festa no Mineirão lindo e lotado, como prevíamos.

E como estava.

E como ficou ainda mais depois do gol de Henrique, já na segunda etapa. Eram seis do segundo tempo. Era o sonho do tri que chegava nas Minas Gerais.

Sonho que morreu em uma noite de Verón.

O veterano-craque-bandeira do Estudiantes jogou demais. Assim como fez seu pai, também chamado Verón, que tão bem jogou e tão mal fez ao Palmeiras em 68, ano do primeiro título deles na Libertadores e ano da nossa segunda doída perda de Libertadores.

O Cruzeiro poderia chegar ao título se mantivesse a calma. Se mantivesse o jeito de jogar que foi fundamental nas vitórias sobre o São Paulo, principalmente a segunda, no Morumbi, que custou caro e o cargo de Muricy Ramalho. Se mantivesse a precisão na hora de finalizar, assim como fez nas semis contra o Grêmio.

O melhor é que o Cruzeiro fez isso.

Só que quem viver, Verón.

O craque argentino só precisou de três segundos sem marcação para achar Boseli livre na esquerda, que cruzou para a área. A bola passou por Thiago Heleno e Fábio e encontrou Fernandéz, sozinho.

Jogo empatado.

Tudo bem.
Jogo duro. Jogo truncado. Jogo difícil. Jogo de guerra. Final de Libertadores.

Tudo mal.
Jogo duro. Jogo truncado. Jogo difícil. Jogo de guerra. Final de Libertadores. Justo nesse jogo.

O Cruzeiro se perde. Cede campo, não diminui espaços, sente o baque. O Mineirão fica apreensivo.

O Estudiantes se encontra. Verón comanda o time que passa a sufocar o Cruzeiro, criando chances uma depois da outra. Era questão de tempo.

Fernandéz cruza da direita. Boseli sobe, cabeceia para o chão. A melhor coisa a ser fazer, e o pior aconteceu para o Cruzeiro.

O Estudiantes começa a cozinhar a Raposa. Mas o Mineirão esfria e o time se enerva. Bate o desespero.

E naquelas coisas maldosas que ficam gravadas nas retinas e na memória (E, certamente, nas lágrimas dos cruzeirenses, os palestrinos mineiros), acontecem três chances de misercórdia.

Thiago Ribeiro acerta um chutaço espetacular, de fora da área. A bola passa por Andújar e bate na junção das traves e não entra. Pouco tempo depois, o mesmo Thiago recebe na pequena área, mas o nervossismo coloca o tornozelo na bola e a manda longe. Assim como fez Thiago Heleno, na última oportunidade celeste.

Com méritos, o Estudiantes de La Plata venceu o Cruzeiro e ficou com o título.
Sem deméritos, o Cruzeiro foi grande, celestial, mas caiu diante de Véron e cia.

Parabéns Estudiantes

Dez Libertadores disputadas
Cinco finais
Quatro títulos

Um tricampeonato seguido (68, 69, 70), comandados e conquistados por Verón pai. 39 anos depois, Verón filho ergue a taça da Libertadores.

Estudiantes de La Plata - Tetracampeão da Libertadores

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Obina

Alan Bezerra

A primeira vez que eu escutei o nome Obina foi em 2006, através da bela voz de Christiane Pelajo, apresentadora do Jornal do Globo.

Na ocasião, o Flamengo acabara de vencer o Goiás por 3 x 1, no jogo de volta pelas quartas de final da Copa do Brasil de 06, conquistada pelo Mengão. O atacante Obina marcou duas vezes, e o que a chamada do Jornal foi inesquecível:

"Agora, a torcida do Flamengo tem ainda mais razões para cantar que o Obina é melhor que o Eto'o".

Não entendi nada na hora e fui saber um pouco mais vendo a reportagem sobre o jogo, onde,
pela primeira vez, escutei a já lendária musica do Obina.

Com o passar do tempo e dos jogos, pude constatar que o Obina não era aquele super jogador, muito pelo contrário. Ele é um bom atacante, que sabe fazer gols. Mas isso nós temos aos montes no futebol brasileiro.

O que diferenciava (e ainda diferencia) Obina é o carisma enorme que ele possui. A identificação com o Flamengo era e é muito grande. Todas as vezes que ele entrava no jogo, existia aquele frisson no Maracanã que poucos jogadores causam. Sem contar quando o Brasil jogava no Rio de Janeiro e a torcida gritava 'ão, ão, ão Obina é Seleção".

Aquilo era um barato de se escutar.

Mesmo não sendo um primor de atacante, o Obina sempre levou muita sorte naquelas partidas que realmente contam: nos clássicos. O Vasco sofreu muito nas mãos e nos pés abençoados de Obina. Outra vítima é o tri-vice Botafogo. Nos títulos conquistados em 07 e 08, o xodó rubro negro teve uma participação decisiva.

Principalmente em 2008, quando ele saiu do banco de reservas no segundo tempo e marcou dois gols, virando a decisão e garantindo o título para o Flamengo.

Com tudo isso, eu pensava que Obina e Flamengo era um daqueles casos de amor que jamais acabariam, devido a astronômica identificação de ambas as partes. Como foi no passado com Rondinelli, o Deus da Raça, o Corinthians com Biro-Biro.

Só que seis meses sem marcar gols pesaram. Mesmo para um símbolo rubro negro como é Obina. E naquelas agradáveis surpresas que a vida nos reserva, Obina vai parar no Palmeiras.

Claro, a torcida (eu me incluo nisso) ficou ressabiada com essa contratação. Até algumas piadas de extremo mau gosto surgiram na internet. Bola nós sabíamos que o Obina possuía, nada muito acima da média, mas tinha. O problema era a identificação enorme junto ao Flamengo, que, ao meu ver, poderia atrapalhar o trabalho do jogador em São Paulo.

Mas que nada. Obina está arrebentando com a camisa palestrina. Para a nossa felicidade.

Agora também podemos cantar que o "Obina é melhor que o Eto'o", ou, exagerando bastante: "Obina é melhor que o Gordo, Obina é melhor que o Gordo, Obina é melhor que o Gordooo..."

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Explosão Galáctica

Alan Bezerra

Com as contratações multimilionárias de Cristiano Ronaldo (£ 94 mi), Kaká (£ 65 mi) e Benzema (£ 35 mi), totalizando a exorbitante marca de 193 milhões de euros gastos em apenas três atletas, o Real Madrid revive a Era Galáctica, do início dos anos 00.

Além de inundar o mercado com muito dinheiro, o Madrid volta a investir em um projeto megalomaníaco para ter um time forte. O mais peculiar disso tudo é que estamos atravessando a maior crise econômica e financeira da história do sistema capitalista, onde bancos e empresas estão literalmente quebrando por falta de crédito.

Essa dúvida não tem como ser sanada: de onde o Real Madrid tira tanto dinheiro?

Tudo bem que o presidente madridista, Florentin Pérez, possui patrimônio avaliado em mais de 50 milhões de euros (pré-requesito básico para ser canditado à presidência do time do Santiago Bernabéu), mas entre 50 mi e 193 mi a diferença é meio grandinha.

Claro, o Real possui inúmeras fontes de receita. Só de cotas de televisão, o Madrid irá receber cerca de 600 mi de euro (aproximadamente 1,23 bi de reais), só do campeonato espanhol. Inclua nessa soma a verba da Champions League e da Copa do Rey e lembre-se que a tv não é a maior fonte de renda dos gigantes europeus.

Mas para que tanto investimento? Simples: por causa do Barcelona.

É a mesma coisa que ocorre aqui, mais precisamente no Rio Grande do Sul, com o Grêmio e o Internacional. Se um deles vai fazer alguma coisa, o outro, com toda a certeza, vai fazer também.

Porto Alegre será a única cidade que possuirá dois estádios prontos para a Copa de 2014, já que o Beira-Rio será reformado para receber os jogos. E como o Grêmio não vai ficar para trás, a Arena Grêmio certamente será construida.

Seguindo a mesma lógica, a equipe merengue não iria ficar parada vendo a superioridade do Barcelona. O atual campeão da Liga Espanhola, da Copa do Rey e da Champions League, dono do melhor ataque do mundo, time que joga o melhor e mais bonito futebol do planeta e que terá um de seus jogadores (o argentino Messi) eleito o melhor jogador do ano estava nadando de braçadas.

Mas o estopim para a revolução madridista foi a histórica derrota por 6 x 2 sofrida para o Barcelona, em pleno Santiago Bernabéu. Aquela foi a gota d'água para o Madrid chutar o balde e mudar tudo.

Vendo por um lado, mudanças assim são sempre legais e bem-vindas, pois movimentam o mercado mundial e nos faz pensar como será que o Madrid e o Barcelona irão reagir. É de conhecimento de todos que o Barça é o melhor time da atualidade, mas uma olhada rápida no que pode vir a ser o time titular merengue gera muita expectativa em todos.

Cassilas; Sérgio Ramos, Heinze, Metzelder e Marcelo; van der Vaart, Sneijder e Kaká; Robben, Cristiano Ronaldo e Raúl.

pode sim fazer frente à:

Vitor Valdés, Daniel Alves, Pique, Puyol e Abidal; Yayá Thouré, Xavi e Iniesta; Messi, Henry e Eto'o.

Não tenho nenhuma dúvida de que alguma emissora brasileira da tv aberta irá adquirir os direitos da Liga Espanhola. Para a nossa felicidade.

Real Madrid e Barcelona conseguiram atrair toda a atenção do mundo da bola para ambos. Imagine os super clássicos da próxima temporada.

O mundo vai parar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Foi Muricy

Alan Bezerra

Há exatas uma semana, estava eu escutando o Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes, após o último dia letivo de aula do segundo semestre da faculdade. Por si só, já era um dia inesquecível.

O programa estava sendo apresentado por Leandro Quesada, com a companhia de Alexandre Praetzel. A principal temática do mesmo era a fase extremamente complicada do São Paulo, um dia após a eliminação para o Cruzeiro da Libertadores e, detalhadamente, a situação do até então treinador Muricy Ramalho.

Eis que, às 21h04, Leandro Quesada anuncia que Muricy Ramalho não era mais técnico do São Paulo Futebol Clube.

Na hora, eu pensei que era mentira, pegadinha, algo do gênero.

Depois de alguns minutos foi que ficha começava a cair. O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, demitiu Muricy Ramalho.

No mesmo momento, toda a visão positiva que eu tinha do São Paulo, um clube empreendedor, de projeto, de planejamento, de organização dentro e principalmente fora do campo caiu por terra.

Justamente o São Paulo, o clube mais europeu do Brasil, demitiu o técnico no meio da temporadada.

E eu não caio em conversinha. Não adianta falar que ele estava em fase ruim, ou até que o momento não era bom. Sinceramente, essa desculpa não serve. Arrumem outra, por favor.

Ah, mas Muricy estava pressionado pelos sócios por causa da má campanha do time em 2009. Ah, mas Muricy não ganha Libertadores. Ah, mas Muricy é cabeça-dura.

Ah, mas que bela cagada, hein, São Paulo?

Muricy Ramalho chegou ao São Paulo no começo de 2006 e ficou até meados de 2009. De lá para cá, os resultados falam por si só: um vice da Libertadores, um vice campeonato paulista e um vice da Recopa (tudo isso em 2006 - o que gerou o infame apelido de Murivice).

Depois disso, Muricy Ramalho colocou o Tricolor Paulista na história.

O único Tri-Hexa campeão brasileiro de futebol. O primeiro tri seguido da história do São Paulo. O único técnico campeão brasileiro três vezes seguidas no comando da mesma equipe (e único quatro vezes seguidas, já que ele era o técnico do Internacional, o campeão moral de 2005. Desculpe, Corinthians, mas aquele ano foi muito roubado).

Ah, mas não ganhou a Libertadores.

Ah, sim, como se fosse a coisa mais fácil do Universo ganhar a Libertadores.

Como o São Paulo se gaba (com razão - até quinta-feira da semana passada, claro) da sua estrutura, vamos fazer um paralelo com um gigante europeu: o Manchester United.

Os Red Devils estão sob o comando de Sir Alex Ferguson há 22 anos. De lá para cá, foram dez Campeonatos Ingleses, duas Champions League, cinco Copas da Inglaterra, dois Mundiais de Clubes e três Copas da Liga Inglesa.

Na média, um título por ano.

Mas sabe quantos anos levou para que Sir Alex Ferguson ganhasse o primeiro título com o Manchester? Cinco anos.

Vindo do futebol escocês, Ferguson ficou de 86 até 91 sem ganhar nada (tabu quebrado com o título da Copa da Inglaterra). Mesmo assim, foi mantido no cargo pela diretoria do United, pois eles sabiam e confiavam na competência do treinador.

Vejamos Muricy Ramalho. Nos primeiros três anos e meio de São Paulo, três títulos brasileiros. Só isso.

"Isso aqui é trabalho, filho", frase predileta de Muricy, proferida em uma de suas antológicas entrevistas.

Trabalho este que não foi levado em conta pelo São Paulo.

Mesmo sendo palestrinamente palmeirense, fica meu simples e singelo voto de protesto contra a injusta saída de Muricy Ramalho.

Espero que ele assuma a Seleção Brasileira após a Copa de 2010.

Ah, sim. E toda a sorte do mundo para o novo treinador do São Paulo, Ricardo Gomes.