Alan Bezerra
Há exatas uma semana, estava eu escutando o Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes, após o último dia letivo de aula do segundo semestre da faculdade. Por si só, já era um dia inesquecível.
O programa estava sendo apresentado por Leandro Quesada, com a companhia de Alexandre Praetzel. A principal temática do mesmo era a fase extremamente complicada do São Paulo, um dia após a eliminação para o Cruzeiro da Libertadores e, detalhadamente, a situação do até então treinador Muricy Ramalho.
Eis que, às 21h04, Leandro Quesada anuncia que Muricy Ramalho não era mais técnico do São Paulo Futebol Clube.
Na hora, eu pensei que era mentira, pegadinha, algo do gênero.
Depois de alguns minutos foi que ficha começava a cair. O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, demitiu Muricy Ramalho.
No mesmo momento, toda a visão positiva que eu tinha do São Paulo, um clube empreendedor, de projeto, de planejamento, de organização dentro e principalmente fora do campo caiu por terra.
Justamente o São Paulo, o clube mais europeu do Brasil, demitiu o técnico no meio da temporadada.
E eu não caio em conversinha. Não adianta falar que ele estava em fase ruim, ou até que o momento não era bom. Sinceramente, essa desculpa não serve. Arrumem outra, por favor.
Ah, mas Muricy estava pressionado pelos sócios por causa da má campanha do time em 2009. Ah, mas Muricy não ganha Libertadores. Ah, mas Muricy é cabeça-dura.
Ah, mas que bela cagada, hein, São Paulo?
Muricy Ramalho chegou ao São Paulo no começo de 2006 e ficou até meados de 2009. De lá para cá, os resultados falam por si só: um vice da Libertadores, um vice campeonato paulista e um vice da Recopa (tudo isso em 2006 - o que gerou o infame apelido de Murivice).
Depois disso, Muricy Ramalho colocou o Tricolor Paulista na história.
O único Tri-Hexa campeão brasileiro de futebol. O primeiro tri seguido da história do São Paulo. O único técnico campeão brasileiro três vezes seguidas no comando da mesma equipe (e único quatro vezes seguidas, já que ele era o técnico do Internacional, o campeão moral de 2005. Desculpe, Corinthians, mas aquele ano foi muito roubado).
Ah, mas não ganhou a Libertadores.
Ah, sim, como se fosse a coisa mais fácil do Universo ganhar a Libertadores.
Como o São Paulo se gaba (com razão - até quinta-feira da semana passada, claro) da sua estrutura, vamos fazer um paralelo com um gigante europeu: o Manchester United.
Os Red Devils estão sob o comando de Sir Alex Ferguson há 22 anos. De lá para cá, foram dez Campeonatos Ingleses, duas Champions League, cinco Copas da Inglaterra, dois Mundiais de Clubes e três Copas da Liga Inglesa.
Na média, um título por ano.
Mas sabe quantos anos levou para que Sir Alex Ferguson ganhasse o primeiro título com o Manchester? Cinco anos.
Vindo do futebol escocês, Ferguson ficou de 86 até 91 sem ganhar nada (tabu quebrado com o título da Copa da Inglaterra). Mesmo assim, foi mantido no cargo pela diretoria do United, pois eles sabiam e confiavam na competência do treinador.
Vejamos Muricy Ramalho. Nos primeiros três anos e meio de São Paulo, três títulos brasileiros. Só isso.
"Isso aqui é trabalho, filho", frase predileta de Muricy, proferida em uma de suas antológicas entrevistas.
Trabalho este que não foi levado em conta pelo São Paulo.
Mesmo sendo palestrinamente palmeirense, fica meu simples e singelo voto de protesto contra a injusta saída de Muricy Ramalho.
Espero que ele assuma a Seleção Brasileira após a Copa de 2010.
Ah, sim. E toda a sorte do mundo para o novo treinador do São Paulo, Ricardo Gomes.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
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