quarta-feira, 22 de julho de 2009

La Plata que reluz a Ouro

Alan Bezerra

Quinto ano seguido que a Libertadores é decidida em território brasileiro.

Quinta vez seguida que brasileiros e argentinos decidem a Libertadores aqui. Quinta vez seguida que temos de assistir calados e quietos a festa que os argentinos sabem tão bem fazer nas arquibancadas brasileiras, mesmo em menor número. Mas com muito mais voz.

Terceira vez seguida que um time brasileiro perde a Libertadores decidindo em casa.

Não foi uma derrota tão incontestável quanto foi aquela do Boca Juniors sobre o Grêmio, em 2007, 2 x 0 no Olímpico. Mas que não conseguiu calar a torcida do Imortal Tricolor mais inacreditável da história, que saiu do último lugar da Série B e chegou ao vice da América.

Não foi uma derrota tão traumática e triste quanto foi aquela do Fluminense para a LDU, no ano passado. Uma das maiores injustiças do futebol, sem tirar o mérito do bom time da LDU, mas o Fluminense foi muito grande quando bateu o São Paulo nas quartas e fez o que só o Santos de Pelé havia feito: ganhar do todo-poderoso Boca Juniors, na semifinal. Só que havia os pênaltis entre o Fluminense e seu primeiro título da Libertadores.

No primeiro jogo da final, o Cruzeiro deu sinais de que chegaria ao tri. Depois do 0 x 0 no primeiro jogo da decisão, com o goleiro Fábio vivendo sua noite de defesas marcantes, era decidir e fazer a festa no Mineirão lindo e lotado, como prevíamos.

E como estava.

E como ficou ainda mais depois do gol de Henrique, já na segunda etapa. Eram seis do segundo tempo. Era o sonho do tri que chegava nas Minas Gerais.

Sonho que morreu em uma noite de Verón.

O veterano-craque-bandeira do Estudiantes jogou demais. Assim como fez seu pai, também chamado Verón, que tão bem jogou e tão mal fez ao Palmeiras em 68, ano do primeiro título deles na Libertadores e ano da nossa segunda doída perda de Libertadores.

O Cruzeiro poderia chegar ao título se mantivesse a calma. Se mantivesse o jeito de jogar que foi fundamental nas vitórias sobre o São Paulo, principalmente a segunda, no Morumbi, que custou caro e o cargo de Muricy Ramalho. Se mantivesse a precisão na hora de finalizar, assim como fez nas semis contra o Grêmio.

O melhor é que o Cruzeiro fez isso.

Só que quem viver, Verón.

O craque argentino só precisou de três segundos sem marcação para achar Boseli livre na esquerda, que cruzou para a área. A bola passou por Thiago Heleno e Fábio e encontrou Fernandéz, sozinho.

Jogo empatado.

Tudo bem.
Jogo duro. Jogo truncado. Jogo difícil. Jogo de guerra. Final de Libertadores.

Tudo mal.
Jogo duro. Jogo truncado. Jogo difícil. Jogo de guerra. Final de Libertadores. Justo nesse jogo.

O Cruzeiro se perde. Cede campo, não diminui espaços, sente o baque. O Mineirão fica apreensivo.

O Estudiantes se encontra. Verón comanda o time que passa a sufocar o Cruzeiro, criando chances uma depois da outra. Era questão de tempo.

Fernandéz cruza da direita. Boseli sobe, cabeceia para o chão. A melhor coisa a ser fazer, e o pior aconteceu para o Cruzeiro.

O Estudiantes começa a cozinhar a Raposa. Mas o Mineirão esfria e o time se enerva. Bate o desespero.

E naquelas coisas maldosas que ficam gravadas nas retinas e na memória (E, certamente, nas lágrimas dos cruzeirenses, os palestrinos mineiros), acontecem três chances de misercórdia.

Thiago Ribeiro acerta um chutaço espetacular, de fora da área. A bola passa por Andújar e bate na junção das traves e não entra. Pouco tempo depois, o mesmo Thiago recebe na pequena área, mas o nervossismo coloca o tornozelo na bola e a manda longe. Assim como fez Thiago Heleno, na última oportunidade celeste.

Com méritos, o Estudiantes de La Plata venceu o Cruzeiro e ficou com o título.
Sem deméritos, o Cruzeiro foi grande, celestial, mas caiu diante de Véron e cia.

Parabéns Estudiantes

Dez Libertadores disputadas
Cinco finais
Quatro títulos

Um tricampeonato seguido (68, 69, 70), comandados e conquistados por Verón pai. 39 anos depois, Verón filho ergue a taça da Libertadores.

Estudiantes de La Plata - Tetracampeão da Libertadores

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