quarta-feira, 15 de julho de 2009

Obina

Alan Bezerra

A primeira vez que eu escutei o nome Obina foi em 2006, através da bela voz de Christiane Pelajo, apresentadora do Jornal do Globo.

Na ocasião, o Flamengo acabara de vencer o Goiás por 3 x 1, no jogo de volta pelas quartas de final da Copa do Brasil de 06, conquistada pelo Mengão. O atacante Obina marcou duas vezes, e o que a chamada do Jornal foi inesquecível:

"Agora, a torcida do Flamengo tem ainda mais razões para cantar que o Obina é melhor que o Eto'o".

Não entendi nada na hora e fui saber um pouco mais vendo a reportagem sobre o jogo, onde,
pela primeira vez, escutei a já lendária musica do Obina.

Com o passar do tempo e dos jogos, pude constatar que o Obina não era aquele super jogador, muito pelo contrário. Ele é um bom atacante, que sabe fazer gols. Mas isso nós temos aos montes no futebol brasileiro.

O que diferenciava (e ainda diferencia) Obina é o carisma enorme que ele possui. A identificação com o Flamengo era e é muito grande. Todas as vezes que ele entrava no jogo, existia aquele frisson no Maracanã que poucos jogadores causam. Sem contar quando o Brasil jogava no Rio de Janeiro e a torcida gritava 'ão, ão, ão Obina é Seleção".

Aquilo era um barato de se escutar.

Mesmo não sendo um primor de atacante, o Obina sempre levou muita sorte naquelas partidas que realmente contam: nos clássicos. O Vasco sofreu muito nas mãos e nos pés abençoados de Obina. Outra vítima é o tri-vice Botafogo. Nos títulos conquistados em 07 e 08, o xodó rubro negro teve uma participação decisiva.

Principalmente em 2008, quando ele saiu do banco de reservas no segundo tempo e marcou dois gols, virando a decisão e garantindo o título para o Flamengo.

Com tudo isso, eu pensava que Obina e Flamengo era um daqueles casos de amor que jamais acabariam, devido a astronômica identificação de ambas as partes. Como foi no passado com Rondinelli, o Deus da Raça, o Corinthians com Biro-Biro.

Só que seis meses sem marcar gols pesaram. Mesmo para um símbolo rubro negro como é Obina. E naquelas agradáveis surpresas que a vida nos reserva, Obina vai parar no Palmeiras.

Claro, a torcida (eu me incluo nisso) ficou ressabiada com essa contratação. Até algumas piadas de extremo mau gosto surgiram na internet. Bola nós sabíamos que o Obina possuía, nada muito acima da média, mas tinha. O problema era a identificação enorme junto ao Flamengo, que, ao meu ver, poderia atrapalhar o trabalho do jogador em São Paulo.

Mas que nada. Obina está arrebentando com a camisa palestrina. Para a nossa felicidade.

Agora também podemos cantar que o "Obina é melhor que o Eto'o", ou, exagerando bastante: "Obina é melhor que o Gordo, Obina é melhor que o Gordo, Obina é melhor que o Gordooo..."

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