quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Na Copa

Alan Bezerra

Pela décima nona vez, a principal Seleção de Futebol do planeta está classificada para a Copa do Mundo.

E dessa vez, graças a Deus, sem sofrimento.

Mas nem eu, você, eles mesmos esperavam isso com tamanha facilidade. Com três rodadas de antecipação a vaga para a Copa está assegurada.

Ah, mas o Brasil na Copa é certeza.

Quase certeza. Não é bem assim. O feito dos comandados de Dunga deve ser louvado e muito valorizado.

Eu era muito pequeno, tinha cinco anos, mas me lembro bem do sufoco terrível que nós passamos em 93, quando deixamos para decidir a classificação para o Mundial 94 no último jogo, contra o Uruguai.

Algumas partidas antes, o Brasil perdeu o seu primeiro jogo na história das Eliminatórias, 1 x 0 para a Bolívia, em La Paz. A geração marcada pela derrota para a Argentina, em Turim, nas oitavas em 90 entrou com as mãos dadas para golear a Bolívia em Recife e respirar no torneio.

Veio o último jogo, e um certo baixinho estava comendo a bola no Barcelona. E não era convocado por Parreira. O Brasil praticamente exigiu a convocação de Romário para o duelo final diante do Uruguai. Era vencer ou vencer no Maracanã.

Em uma atuação de gala, Romário marcou dois gols, o segundo deles um dos mais inesquecíveis para mim que garantiu o Brasil no Mundial 94, a Copa do Tetra.

Ou mesmo em 2002, quando o Brasil descambou de perder jogos (Paraguai, Bolívia, Argentina, Chile, Equador) e, de novo, ficou para o último jogo a decisão da vaga. Depois de três técnicos (Luxemburgo, Émerson Leão, Candinho), Felipão - que saudades - apostou em Luisão e ele correspondeu. Dois gols contra a Venezuela na vitória por 3 x 0 em São Luís do Maranhão.

Agora, não.

3 x 1 na sempre fortíssima Argentina, em Rosário. A última vez que eles perderam algum jogo pelas eliminatórias foram em 93, na história derrota por 5 x 0 em pelo Monumental del Nuñes para a melhor seleção colombiana de todos os tempos.

Em Rosário, o último revéz portenho tinha sido em 75, vitória nossa na Copa América. Eram 11 jogos de invencibilidade na terra natal do Rosario Cental, do Newell´s Old Boys, de Lionel Messi e também de Ernesto Che Guevara.

Eu não esperava tanto do time de Dunga.

Não por falta de confiança no time verde e amarelo. Potencial temos de sobra, talento também, mas faltava algo.

Na verdade, faltou tudo na (des)concentração para o Mundial 06.O bumba meu boi que foram os treinamentos resultaram na vexatória eliminação para a França (como sempre), em Frankfurt, pelas quartas de final.

E sem jamais esquecer da aula de futebol arte do melhor jogador que eu tive o prazer de ver, o genial Zinedine Zidane (porque não maior? O maior é o nosso São Marcos do Palestra)

Qualquer um que assumisse o Brasil poderia fazer algum trabalho melhor que aquele feito na Copa da Alemanha. Se é que aquilo pode ser considerado um trabalho, né.

Mas o Dunga?

Um treinador-trainee na Seleção?

Tudo bem que isso já tinha dado certo duas vezes com a Alemanha, em 90 com Franz "Kaiser" Beckenbauer, que conduziu os Panzers para o título na Itália, e em 06, com Jugen Klismann, quando a Alemanha ficou em terceiro jogando a Copa em casa.

Mas no Brasil? Com tantos técnicos de renome (Luxemburgo, Muricy Ramalho, Felipão) a melhor aposta a ser feita era no Dunga?

O Brasil era um lugar para ser fazer apostas?

O time de futebol mais importante de todo o planeta precisaria mesmo passar por isso?

Mérito para Ricardo Teixeira (que já era para ser saído da presidência da CBF há no mínimo 20 anos) quando segurou a bronca e o rojão para manter nosso capitão do Tetra no comando do Brasil.

Os recentes títulos conquistados pela geração Dunga (Copa América e a Copa das Confederações) só deram ainda mais moral para a nossa Seleção. Eu sei que perdemos o ouro olímpico - de novo - mas, sinceramente, isso não pesa tanto.

Eu não sei porque o COI ainda insiste em colocar o futebol masculino nas Olimpíadas. Não faz sentido algum isso. O feminino sim, mas o futebol masculino, sozinho, possuí um evento maior que os Jogos Olímpicos, que é a Copa do Mundo.

O melhor dessa Seleção é que da gosto de torcer por ela. Esse time tem uma característica peculiar de sempre jogar muito bem nos jogos mais importantes, contra uma Itália, Alemanha, Inglaterra, Uruguai da vida. Mas contra uma seleção de menor expressão, a coisa complica. (não) Vai entender.

Torço para que o Brasil só pegue pedreiras nos matas-matas na África do Sul. Assim, a chance de tentarmos o Hepta aqui em 2014 aumenta exponencialmente.

Esse Brasil vai dar Hexa? Não sei, Tem grandes chances. Mas outras seleções vem muito fortes, como a Holanda, Espanha. Alemanha. A Itália não está tão bem assim, mas quanto pior estiver, mais longe a Azzurra vai na Copa. E eles não são Tetra a toa.

E a Argentina que vai para a Copa, claro. Nem que seja na repescagem, mas eles vão sim.

Veremos e com certeza torceremos que nem loucos no ano que vem.

Dia 11 de julho. Estádio Soccer City, Johannesburgo.

Quem sabe o dia e o local do Hexa.

Já que, no final das contas,

FIFA World Cup South Africa 2010.

Já estamos lá.

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