quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ressaca nas Laranjeiras

Érico Oyama

Com uma bela cagada do destino o Santos conseguiu emplacar uma goleada sobre o abatido tricolor das Laranjeiras. Caso Kebler Pereira tivesse saído no lugar de Molina, que ficou cansado, a vitória seria bem mais suada. Apesar do Fluminense ter ficado com um jogador a menos na metade do segundo tempo, ainda assim conseguia impor forte pressão sobre o time de Vagner Mancini.

A ressaca pela eliminação da Copa do Brasil, contra o Corinthians, parece ainda não ter esgotado seus efeitos sobre a boa equipe do Fluminense. O duro mesmo é ver um elenco tão bom, como possuí o Flu, nas mãos de um treinador que prioriza o toque de bola a marcação de gols. “O gol é apenas um detalhe”, segundo Parreira. Quando o treinador chegou nas Laranjeiras disse “É bom voltar ao dia a dia de um clube, estava com saudades da adrenalina”, acho que agora ele já enjoou de tanta adrenalina, corre o risco até de ter uma overdose. A semana de Carlos Alberto Parreira não será fácil, terá que lidar com críticas de torcedores e dar mil e tentar dar mil e uma explicações para o mau desempenho da equipe nos últimos jogos.

Até o mês de agosto, quando todas as atenções são focadas no Brasileirão, o campeonato fica morno, em segundo plano. Quando o mês oito chegar começa a fase de reabilitação para os eliminados nos torneios mata-mata, Copa do Brasil e Libertadores, é a chance de salvar o ano. Já quando chega outubro, com a competição no seu auge, começa a fase das declarações “E se...” referindo-se a pontos desperdiçados no início do sertame.

Bom mesmo é participar de dois campeonatos ao mesmo tempo e ir bem, aliás, super bem, em ambas. É o caso do Internacional de Porto Alegre, com um elenco de dar inveja a qualquer time brasileiro, os gaúchos que vestem rubro não tem do que reclamar, estão bem encaminhados nas duas principais competições do país. Segura o Inter que eu queri ver.

O clássico Choque-Rei não teve nada de mais, daqui uma semana nem os torcedores do Sâo Paulo e Palmeiras se lembrarão desse jogo. Pelo placar já se pode ter um ideia do nível do jogo, afinal, jogo sem gols é jogo chato, é jogo frustrante, é jogo para se esquecer. Os destaques foram o pênalti claro cometido por Mirando sobre Diego Souza e as duas expulsões, uma para cada lado.

Roma 2009 Finale

Por Alan Bezerra

Ao som de Through Fire And The Flames, falemos da final da UEFA Champions League 08/09

Barcelona x Manchester United

Sem sombra de qualquer dúvida, essas equipes são as que melhor jogam futebol na atualidade. O time de Sir Alex Ferguson, com aquela frieza e poder de decisão acima da média, e o Barcelona, com seu futebol-arte-espetáculo, capaz de deixar sem palavras quem gosta de futebol e sem ação as pobres defesas adversárias. Que diga o Real Madrid, após o acachapante 6 x 2 em pleno Bernabéu.

Daqui a algumas horas, eu, você, nós, eles e outras milhões de pessoas deixarão de lado seja lá o que tiverem que fazer, para acompanhar essa partida. Melhor dizendo, não só o jogo em si, mas o espetáculo que o envolve também, que já comove a cidade de Roma a alguns dias.

Não tenho muito a dizer não. Só tenho a agradecer a UEFA, aos dois times, a todos os envolvidos no maior espetáculo da Terra (desculpe, carnaval). E não tenho como fazer nenhum prognóstico. Quem ganhar, será por mérito.

Mas como palmeirense, torcerei para o Barcelona. Como amante do futebol bem jogado, também, devido a presença de Messi na seleção catalã.

Hoje é um dia especial. Dia para ficar na história e na memória.

Hoje é dia de final de UEFA Champions League

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Genalidade Operária

Por Alan Bezerra

Apesar de ser palmeirense até o último resquício de cosmo, não consigo deixar de torcer para que algumas equipes consigam conquistar títulos e o respeito da mídia e dos outros torcedores.

Atualmente, além da minha admiração enorme pelo Liverpool, pelos motivos que eu já escrevi a respeito anteriormente, outra equipe vem me conquistando: o Barcelona.

Ou diria reconquistando?

Desde que eu era pequeno, acompanhava os jogos do Barça pelo campeonato espanhol, na época em que o Ronaldo jogava por lá, em 96/97. Ou seja, lá se vão 12 anos. Durante um tempo, no início dessa década, o Real Madrid (o arquirrival do Barcelona e que, ao ver mer, faz com ele o maior clássico do planeta, graças a motivos que citarei a frente), com o gênio Zidane, mudou o meu conceito de futebol bem jogado e até certo ponto do sobre o que eu considero algo elegante.

Passaram-se algum tempo, e não fiquei muito encantado com alguma equipe espanhola. Isso até entrar em campo o melhor ataque do mundo.

Em pouco mais de 45 jogos na temporada 08/09 foram marcados 100 gols. O Barcelona estava destruindo os adversários tanto na Liga Espanhola quanto na Champions League.

Diversos jornalistas esportivos afirmaram com alto e bom som que o time da Catalúnia era a melhor do mundo, apesar da merecida badalação (ao meu ver exacerbada) em torno do Manchester United, de Cristiano Ronaldo. Que, segundo a FIFA, é o melhor do mundo.

Mas, segundo a quase totalidade da humanidade, o verdadeiro melhor do mundo é o Messi.

O que o argentino joga é uma grandeza. É coisa de deixar embasbacado, sem palavras e sem marcação. Nem batendo os zagueiros conseguem parar o genial camisa 10 catalão.

Ponto. Cheguei onde pretendia: genial

Eu costumo admirar dois tipos de personalidade e de postura em qualquer coisa existente: a genialidade e o, digamos, espírito operário.

O Barcelona é o maior exemplo hoje no futebol para o que pode ser chamado de genial. Eles não correm em campo, a bola corre por eles. A facilidade que os jogadores do Barça possuem para fazer as coisas é de deixar encantado. Assim como o Real Madrid, dos anos 01/02/03.

Do outro lado, o espírito operário. Poderia citar o Grêmio de 05 para cá, mas aí seria chover na enchente. Mas a base é essa mesmo.

Enquanto o Barcelona encanta, o Grêmio emociona.

E, desde sempre, eu sou um milhão de vezes mais favorável a ficar emocionado do que encantado. A Saga de Hades que o diga.

Resumindo a história: mesmo com seu belíssimo futebol arte-espetáculo, faltava aquela transpiração tão bem vinda.

No sábado passado, ocorreu o super clássico Real Madrid x Barcelona, no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid.

Agora, uma rápida explicação. Eu e muita gente considera esse jogo o maior clássico do futebol mundial, por duas razões.

A primeira é que cerca de 82% da população espanhola torce para um dos dois os times.É como se no Brasil 171 milhões de pessoas torcessem para o Flamengo ou para o Corinthians. Ou seja, o país pára, literalmente.

A segunda, é que a Espanha pode ser um país, mas não é uma nação. Eu sei que quase nenhum dos países grandes da Europa pode ser chamado de nação. Acho que só Portugal.
Não é de desconhecimento de ninguém que existem trocentos povos diferentes no Velho Continente, agrupados em alguns países. A Itália por exemplo, da célebre frase de Bento Garibaldi (Criamos a Itália, agora falta criar os italianos), é por isso que não vemos nenhum sabor de pizza à italiana, e sim à napolitana, à calabresa etc.

Mas no país da bota, até onde eu sei, eles se consideram 'italianos', mesmo nascendo na região de Milão ou em Nápoles.Lógico, existe uma rivalidade enorme entre eles, mas ainda é algo controlável.

Na Espanha, não.

Eu não entendo como o país que foi sede da Copa de 82 ainda é um país. Calma, eu explico o que quero dizer.O que chamamos de Espanha é na verdade um agrupamento de três povos: os catalães, os bascos e os, sei lá, chamarei de madrilhenos.

Para citar um exemplo: quando a Espanha foi campeã da EURO 08, Madrid entrou em festa. Enquanto isso, não estava acontecendo nada em Barcelona. E a razão disso era bem simples: a Espanha ganhou a EURO, e não a Catalúnia.

E o que mais representa esse racha é o super clássico Real Madrid x Barcelona, que literalmente divide o país ao meio.

O último Madrid x Barça foi inesquecível.

O Barcelona humilhou o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, com um acachapante 6 x 2.

O catalães colocaram os merengues na roda, e tiraram da linha e do sério qualquer um que gosta de futebol. Foi um vareio, um baile encantado guiado pelos pés e pelas jogadas mágicas de Messi.

Isso foi em um sábado. Na quarta-feira passada, o Barcelona entrou em campo para jogar contra o Chelsea, pela semifinal da Champions League.

Era consenso geral de que se o Barcelona jogasse metade do sabe, passaria sem problemas. Exceto pela defesa absurda do time londrino. O Barcelona não conseguiu furar o paredão do ex-time de Felipão. A inspiração acabou.

Será que o Barcelona não conseguiria ir além das suas limitações? Será que a gênios não fariam o que os operários fazem todos os dias?

Para a minha surpresa, quando o zagueiro Abidal foi expulso, o Barcelona mudou sua postura em campo e passou a se entregar de forma magistral. Os jogadores acostumados a dar espetáculo passaram a dar carinho, começaram a correr como todos ou outros que não possuem talento nato.

Além de encantar, o Barcelona passou a me emocionar.

Foi uma verdadeira batalha em Londres.

Durante vinte e dois minutos, o catalães ficaram com um jogador a menos, mas com dez homens a mais em campo.

Eles se lançaram quase de forma suicida ao ataque, já que necessitavam a todo custo do gol de empate. No ataque, tudo bem, e na defesa, melhor ainda. Todos marcavam.

Demorou, mas saiu o gol do time catalão.

Messi fez um jogada alá Messi pela esquerda e rolou para Iniesta, jogador que está a mais de doze anos no Barça. Ele, que nunca foi considerado um craque, mas sempre foi respeitado pela dedicação com a qual vestia a belíssima camisa azul grená, chutou da forma mais simples possível, de bico.

A bola foi no ângulo do goleiraço Pétr Cech.

Os jogadores, os torcedores e até a comissão técnica do treinador Josep Guardiola comemoraram esse gol mais que todos os que foram marcados até aquele momento. E, com razão (ou por paixão mesmo), já que esse gol levou o Barcelona à Roma.

Com um a menos, fora de casa, com um gol quase no final da partida. A identificação com o que ocorreu a menos de dez dias foi imediata.

O Barcelona conseguiu se classificar para a final da UEFA Champions League, contra o Manchester United, que será disputada no dia 27 de maio, às 15:45, no Estádio Olímpico de Roma.

Não tem como ser imparcial

Nada contra o todo-poderoso e badalado time de Sir Alex Ferguson e Cristiano Ronaldo, mas tudo a favor para a genialidade operária de Messi, Iniesta e cia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

São Marcos

Por Alan Bezerra

A duas semanas atrás eu falava, mais ou menos neste horário, exatamente isso "Eu dou minha cara a tapa para provar que a felicidade que eu estou sentindo agora não pode ser conquistada por nada comprado, dado, sei lá."

Eu estava errado. Fomos presenteados por nosso maior herói com uma alegria ainda maior.

É difícil até pensar por onde começar.

Eu estou parado, com as mãos no teclado, às 00h40 do dia 13 de maio de 2009.

Preciso dizer que é um dos dias mais felizes da minha vida?

Já chorei, já gritei, já quase quebrei o rádio e a cadeira. Não o da minha casa, já que estava fazendo uma reportagem na casa de um dos meus colegas-irmãos da faculdade, durante o jogo.

O mais legal é que a reportagem é sobre o livro Os Dez Mais do Palmeiras, do meu ídolo e mestre Mauro Beting.

E no mesmo dia, nossa.

Eu nem vou tentar escrever muita coisa, acho que felicidade exarcebada causa colapso do sistema nervoso. Ou do que sobrou dele, após as penalidades máximas na Ilha do Retiro.

Acho que nunca tive tanta dificuldade de escrever a respeito de uma vitória. Essa Libertadores está me refazendo como atual estudante e futuro jornalista esportivo. Além de conseguir a proeza, o feito, a façanha de mostrar que o Palmeiras é um das maiores bençãos da minha vida, ainda mais do que eu já tinha certeza.

Eu até tento encontrar palavras, mas elas não existem. Nossa língua ainda não evoluiu a ponto de produzir uma palavra que possa transmitir o que o goleiro Marcos significa para nós.

O que ele fez na Ilha do Retiro foi algo, algo, algo, algo sem adjetivos.

Simplesmente Marcos.

Em umas das maiores atuações individuais que eu já vi (mais precisamente escutei), o craque-símbolo-gênio-soldado-heroi-ídolo-bandeira e santo da camisa 12 fez coisas que só Marcos é capaz de fazer. Duas defesas difícilimas e três milagres. Um deles, defendendo um chute aos 47 do segundo tempo, que quase me levou à nocaute.

Existem duas coisas que eu nunca vou conseguir descrever, não importa quantas vezes eu tente e quantos anos eu estude e trabalhe: a sensação de uma disputa de pênalti, e o que representa o Palmeiras para mim.

As duas coisas juntas então, esquece, nunca, jamais.

Não dá

Principalmente após as três cobranças defendidas por Marcos.

Eu não consigo descrever a gratidão minha e nossa por ele. Nosso goleiro poderia parar de jogar e sumir, sem nunca mais aparecer no Palestra Itália, que mesmo assim seria respeitadíssimo e continuaria a ser beatificado por todos nós.

Além de estar desde 1992 no Palmeiras, eliminar o Corinthians duas vezes na Libertadores, proporcionar o momento mais feliz da minha vida, em 2000, fazer uma enorme Copa do Mundo, em 2002 e agora, com essa partidaça.

Mas Marcos não é só isso.

Marcos foi capaz de recusar uma proposta milionária do Arsenal, em 2003. Ele recusou uma quantidade absurda de dinheiro e a possibilidade de morar e jogar na Inglaterra para disputar e sofrer a Segunda Divisão conosco.

E foi ainda mais Marcos nos jogos contra o Anapolina, Botafogo, Caxias, CRB, Brasil de Pelotas, São Raimundo, Remo...

Marcos foi muito Marcos naquela triste e doída tarde de novembro de 2008, quando ele saiu do gol e só entrou para a história, quando tentou de qualquer jeito e de qualquer forma empatar aquele jogo, fazendo o que todos os outros torcedores que são iguais ou menos (nunca superiores) à ele queriam fazer e não tinham como.

Marcos para nós é Marcos.

Um Marcos de profissiopassionalismo
Um Marcos de grandeza
Um Marcos de simplicidade
Um Marcos de identificação com a camisa palestrina.

Marcos são algumas muitas coisas.

Mas todas as coisas juntas não podem sequer começar a dizer o que é e o que representa
São Marcos para nós.

Reduzi-lo a singularidade de um único mero adjetivo é errado. Marcos não é. Marcos é plural.
Marcos é são.

São Marcos

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Milagre de Santiago

Por Alan Bezerra

Antes de qualquer coisa, desculpe pela possível e provável baixa qualidade do texto, mas que se dane.

Eu estou sem óculos, não estou enxergando quase nada, estou sem saber se começo a dar risada ou se continuou chorando compulsivavente.

Mas se eu não fizer isso agora, será uma das maiores burrices da minha vida. Eu estou sem o controle dos meus movimentos, minha mão está tremendo demais. Meu coração, de fato, funciona perfeitamente. Nossa, está difícil manter uma linha de raciocínio, mas vamos lá.

Não é exagero, não gente. Agora é 00h15 de quinta-feira, dia 30 de abril de 2009. Com certeza, um dos dias mais felizes da minha vida.

Que vitória

Que sensação sem palavras. Desculpa, gente. Não dá. A minha vontade é de sair gritando, sabe, ir correndo até o Palestra Itália e abraçar cada um de lá. Eu dou minha cara a tapa para provar que a felicidade que eu estou sentindo agora não pode ser conquistada por nada comprado, dado, sei lá.

Eu sou um baita abençoado por Deus por ele ter dado a benção de ser palmeirense.

Agora é 00h21, parece que meus batimentos cardíacos estão voltando ao normal. Só que isso não vai mudar nada, não vou conseguir dormir hoje mesmo.

A tempos eu não comemorava tanto um gol. A última vez não foi contra o Sport, na Ilha, nem contra a Ponte, na final do Paulistão do ano passado. Nem mesmo o gol do retorno à Série A, naquele mítico jogo no Gigane do Agreste, em Garanhus.

A emoção que senti, estou sentido e irei sentir para sempre quando lembrar (se é que vou precisar lembrar. Afinal de contas, não é possível se lembrar do que é inesquecível).

A última vez que fiquei assim foi em 2000, na noite mais feliz da minha vida. Quando eliminamos nosso arqui, supremo, sumo rival, o Corinthians. O dia em que Marcos se beatificou, defendendo o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, naquela semifinal da Libertadores.

Só que não é a cobrança de pênalti que me fez recordar desse jogo. Foi o gol de Galeano, o terceiro na viória por 3 x 2, de virada. Eu era um dos poucos palmeirenses da rua, e gritei por todos os palestrinos que existem no mundo.

Quando saiu o gol do Galeano, eu quebrei o sofá do pai e quase minha mão foi junto. Eu saí correndo, gritei na garagem, abracei e quase fui mordido pelo meu cachorro, parei no corredor e começei a gritar para o meu vizinho, dizendo que quem estava eliminado não éramos nós não.

Não imaginava que sentiria algo parecido novamente. Ainda bem que estava errado.

Hoje foi um dia daqueles. Tensos, nervosos, ansiosos. Poxa, mas é só um jogo. Não, gente, não é só um jogo. Não é só futebol.

Um técnico do Liverpool (tinha que ser, claro) cujo nome não lembro, falou que não entendia porque as pessoas faziam a estupidez de matar e morrer pelo futebol. Ele falava que o futebol não era um caso de vida ou morte. O futebol estava acima dessas duas coisas.

Pode parecer um texto de um irracional, passional, subjetivo, opinativo e o diacho a quatro. E é mesmo. O que eu estou sentindo agora não dá para explicar com palavras.

Depois de um começo catastrófico, perdendo da LDU em Quito, com aquele gol de falta que passou a três centímetros da luva de São Marcos, o desastre diante do Colo-Colo em casa, quando o gol feito de Keirrison explodiu no travessão e quase nos matou. Do coração, de raiva e de tristeza.

Aí fomos para matar ou viver na temerante e assombrosa Ilha do Retiro. Calamos o Sport e continuamos vivos na Libertadores. Depois, 1 x 1 em casa diante do Sport, com aquele bate-rebate maldoso que resultou no gol de empate de Wilson.

Na sequência, mais um jogo de guerra contra a LDU. Nossos herois Pierre e Diego Souza garantiram os 2 x 0.

Ficou para o último jogo. Agora é, ou são, não lembro, 00h47. Finalmente meus olhos pararam de lacrimejar.

Deus de fato escreve certo por linhas tortas, sinuosas, confusas, conturbadas, sofridas, doidas e doídas.

Fora de casa, com um a menos (Marcão foi expulso), sem os dois nossos principais guerreiros em campo (Pierre e Diego Souza saíram contundidos), precisando desesperadamente do gol para se classificar, depois de duas bolas na trave, algumas jogadas que o gol não quis sair e a visão da eliminação chegando.

O gol não saía.

Até nosso camisa 10, a mesma do maior de todos, Ademir da Guia, pegar a bola. E mandar uma paulada, uma marretada, uma bomba com toda a esperança acumulada de todos nós. E foi no ângulo. Golaço.

Eu acordei meu bairro inteiro.

E, dessa vez, não quebrei nada, só quase arranquei a porta da cozinha no ímpeto de sair correndo para o quintal e fazer com que o maior número possível de pessoas escutassem e compartilhassem comigo esse momento histórico.

Nunca tinha visto o técnico Luxemburgo comemorar tanto alguma coisa. Quer dizer, vi depois. Na hora comecei a chorar que nem um adulto de 20 anos idade que viu seu amado time fazer um milagre em Santiago do Chile.

O Mauro Beting acabou de falar que não consegue explicar a emoção que o gol de Cleiton Xavier causou. Se ele, que tem quase 20 anos de carreira, não consegue, eu que estou apenas começando na faculdade não vou sequer tentar.

Acho que essa é a décima vez que a narração do José Silvério passa na Bandeirantes, e olha que ainda é (ou são) 01h05.

Desculpe se o texto ficou ruim, ou muito ou totalmente passional, subjetivo, opinativo, e irracional até.

Mas gente, eu estou feliz demais. Assistam alguma reportagem sobre esse jogo. E veja a comemoração do time depois da vitória. Talvez seja eu, palmeirense até a última gota de sangue vermelho, verde e branco, que fico assim, que seja, só que é bonito demais.

Ah

E obrigado pela chance de compartilhar com vocês um dos momentos mais lindos da minha vida.

Agora são (ou é) 01h35 e vou escutar pela vigésima segunda vez a narração de José Silvério...

Semi da Champions - Prólogo

Por Alan Bezerra

Barcelona x Chelsea

O time que joga o melho futebol do mundo atualmente enfrentará o que melhor se defende. Se o Barça conseguir manter a espetacular média jogando no Camp Nou, poderá ir para Londres com a classificação encaminhada. Caso os Blues conseguiam segurar Messi, Henry e cia, as chances do Chelsea avançar para a final são grandes.

Manchester United x Arsenal

Mais um clássico inglês na Champions, e dessa vez um dos mais tradicionais. A seleção do mundo de Sir Alex Ferguson pode ser chamada de favorita ante os Youngs Gunners de Arsene Wenger.

Mas no campo a história é outra. O United terá que jogar muita bola para conseguir uma boa vantagem no Old Trafford, já que a decisão da vaga ficará para o Emirates Stadium. E lá, sou mais Arsenal.